19 maio 2015

guardadas em caixa de sapatos...


 em 2013 comecei a explorar alguns pedaços de tecido que fui guardando em caixas de sapatos durante todos estes anos.
 até então os meus dias no estúdio eram essencialmente passados a brincar com os tecidos e outros materiais a fim de criar, entre outras peças, as minhas personagens de pano contadoras de histórias. esses retalhos de tecido não poderiam simplesmente ir para o caixote do lixo. as cores, as formas, a sua existência poderia ser estendida a algo extraordinário. na altura não sabia bem o que iria criar com todos eles. que resultado teriam no trabalho que iria desenvolver com eles. a única certeza era que tinham de ser guardados porque um dia ganhariam uma nova vida. nestes últimos tempos tenho tentado abrir cada uma dessas caixas de sapatos. com esses retalhos espalhados sobre a mesa tenho descoberto novos caminhos e possibilidades.

08 maio 2015

a primeira boneca de pano...


 em 2005 chamou-se Dedal no Dedo a este projecto de Design e Criação de Personagens de pano. assim foi encarada esta ideia como um projecto sério de vida mas a sua origem remonta provavelmente a 1986. esta boneca de pano terá sido, quem sabe, a primeira personagem criada. tenho pena de não saber exactamente a data, mas pelo que dizem deve ter sido já no tempo da escola primária e foi resultado das brincadeiras em casa. foi oferecida à tia que a guardou todos estes anos. agora sou eu que cuido dela.  

[peça. boneca de pano by Vânia Kosta I colecção particular]

07 maio 2015

AGRICULTURA LUSITANA I Semeando a terra nas margens do Rio Zêzere


  Agricultura Lusitana  o tema central da participação das Aldeia do Xisto, representando Portugal como país convidado na Eunique 2015. Um projecto que envolveu diversos artesãos/criadores/autores e que até dia 10 de Maio, apresentará todos os artefactos desenvolvidos ao longo destes meses de pesquisa e concepção. Artefactos significativos de uma identidade, de uma memória, de valores de um território e da alma Lusitana. 

 A convite das Aldeias do Xisto integrei este projecto. A peça que desenvolvi, intitulada "Semeando a Terra nas margens do Rio Zêzere", representa esse território que pode ser abraçado sobre a forma de almofada. Um território ao qual, mesmo não sendo a minha terra natal, estou afectivamente ligada. 


06 maio 2015

a luz que habita este lugar.


 além da gigantesca Costela de Adão que continua a crescer no meu estúdio, outras plantas foram chegando e habitando este lugar. todas procuram a extraordinária luz que entra todos os dias por estas belíssimas janelas.

05 maio 2015

pequenos retalhos...



 ao longo destes anos os têxteis foram assumindo um papel importante nas formas que fui criando. tentei aproveitar quase tudo. muito pouco deitei fora. dei comigo muitas vezes a catar o próprio lixo do estúdio. porque além dos retalhos e tecidos que me davam, fui juntando os tecidos da avó, os retalhos da avó e mesmo aqueles retalhos minúsculos que sobravam desses outros retalhos que trabalhava. supostamente mal serviam para embrulhar um dedal ou fazer umas carapuças para o pardal, mas nunca, nenhum deles, fui capaz de deitar fora. 
 sem saber ao certo na altura para que iriam servir, apenas os guardei porque me custava olhar para eles sem conseguir ver outro caminho possível. e algo me dizia que um dia ia descobrir o que fazer. ao longo destes anos espalharam-se pelo chão muitos fragmentos de tecidos e linhas. e fui juntando em sacos de papel e em caixas de sapatos. em cada ano que passava foi crescendo a quantidade de fragmentos. em cada ano que passava perguntava, “Quando irei eu descobrir o que fazer com eles?”. 
 há cerca de 2 anos, no meio de arrumações no estúdio, re-descobri o conteúdo de alguns desses sacos e caixas de sapatos. espalhei esses fragmentos sobre a mesa e comecei a olhar para eles com outro olhar. esses momentos mágicos de criação não podemos dizer quando vão começar exactamente, mas percebemos o instante em que tudo começa a acontecer. e é tão bom quando somos capazes de nos surpreender. aguardo a chegada desse dia e pelo menos sei que vou sorrir e sentir que valeu a pena guardar estes retalhos todos estes anos. 
 acredito que são estes pequenos gestos que podem conduzir-nos a novos caminhos e descobertas. porque todos os pequenos gestos fazem parte de um todo. e se nem sempre percebi, quando o olhar ainda era pequenino, porque a avó guardava todos os retalhos, agora começo a descobrir. mesmo as roupas velhas eram enroladas e amarradas com atilhos. amontoadas num armário, como se pareceriam com embrulhos coloridos! e lembro-me que tentei desembrulhar alguns para ver o que tinham dentro. mas ao desenrolar essas pequenas trouxas descobria em muitas delas, em quase todas elas, apenas peças de roupa fragmentadas. às vezes faltava uma manga. ou faltava um bolso e os enchumaços tinham desaparecido quase todos. estavam reunidos numa gaveta. alguns desses embrulhos pareciam autênticos puzzles. peças de roupa fragmentadas em partes. bastava perceber em que lugar colocar e descobríamos o que tinham sido antes de ali chegar. nesses tempos os retalhos sempre serviam para alguma coisa. talvez isso também tenha passado para mim. talvez por isso também eu guardei os meus retalhos estes anos todos, porque vi a avó e a mãe a guardá-los também. quando o meu olhar ainda era pequenino nem sempre percebi o que os crescidos faziam. mas quando chegar a hora com certeza irei surpreender-me com o que irá nascer destes fragmentos de tecido guardados todos estes anos. e nesse dia vou sorrir e sentir que afinal fazia sentido e que sou igual à avó e à mãe.


03 maio 2015

quando era pequenina...


 quando era pequenina já gostava de gatinhos e este foi o primeiro. mas se esta amizade com os gatos iniciou-se bem cedo, ela estendia-se também a tantos outros bichanos. na casa dos avós eram os cães, os coelhos, as galinhas, os caracóis no jardim e tantos outros insectos simpáticos. e outros bichanos se cruzaram comigo ao longo dos tempos. cedo percebi o respeito e o amor por eles. cresci e continuo a alimentar esse sentimento de respeito e a amor pelos bichos.

01 maio 2015

DESCOBRIDORES I Espectáculo para bébés

continuo em modo Descobridores. os fantoches dos bébés do mundo estão prontos. começam os ensaios... muito trabalho ainda pela frente para continuar a dar forma, cor, alegria a este desafio de criação deste espectáculo para bébés a estriar em Outubro, uma produção da Companhia de Teatro e Marionetas de Mandrágora. aqui partilho os nossos meninos e meninas. 6 lugares. Portugal. Brasil. Angola. Timor. Índia. Macau.